quinta-feira, 1 de março de 2012

Medo de envelhecer.

Uma reportagem sobre o livro A Soma e o Resto - Um Olhar sobre a Vida aos 80 anos, de Fernando Henrique Cardoso (Veja 2247 – dez 2011), traz esta foto do grupo The Elders, do qual o ex-presidente faz parte e que, segundo seu criador NelsonMandela Mandela, é “…um grupo de líderes que trabalharão objetivamente, livres de qualquer interesse pessoal, para ajudar e encaminhar os desafios globais que se apresentam.” .

Esses desafios são enormes e de dar medo, nas não é sobre eles que quero escrever, nem sobre o livro de FHC; a reportagem provocou em mim o desejo de escrever sobre um medo específico e pouco justificável, a Gerascofobia.

 

Muitas vezes confundido com a Nosofobia (medo de adoecer) e tão antigo ou mais que os espelhos, o medo de envelhecer tem crescido em proporções preocupantes considerando não apenas as “confissões” em consultório, mas também alguns comportamentos e atitudes de evitação cada vez mais comuns:

-Contínua procura por tratamentos estéticos.

-Exagerada prática de exercícios físicos.

-Excessiva preocupação com alimentação correta (Ortorexia).

Nos repertórios homeopáticos encontramos Medo da velhice; e neste sintoma constam três medicamentos: Lachesis, Lycopodium e Sepia; percebo que o campo de ação desses três grandes medicamentos, policrestos no jargão homeopático, a duras penas atende este crescente universo de pessoas ímpares cujas características coincidem neste pavor de envelhecer.

Sem dúvida o envelhecimento traz mudanças orgânicas, estéticas, emocionais e mentais, que repercutem nas relações amorosas, familiares, sociais, profissionais e de poder. Essas mudanças podem ser vistas como perdas insuportáveis se formos comandados pelo medo; mas também podem ser vistas como permissão para ocupar um outro “lugar”, se aceitarmos que a fonte da juventude eterna não foi encontrada e compreendermos que desde o inicio da caminhada humana sobre a terra, aos “maduros” cabe a exigente frente dos grupos e aos velhos cabe, não necessariamente mediar desafios globais como fazem os “The Elders”, mas talvez desafios menores ou, quem sabe, simplesmente usufruir da retaguarda.