segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Vocação.

Às vezes digo, em tom de pilhéria, que consultórios médicos e escritórios de advocacia têm algo em comum; geralmente são procurados por quem está com problemas… Engenheiros e arquitetos, por outro lado, são procurados por quem tem uma grana no bolso e uma ideia na cabeça… Muito melhor!

Em um pensar simplista, medicina e direito deveriam ser as menos desejadas por aqueles que estão iniciando a busca por uma profissão, pois quem, em sã consciência, ia querer ser acordado a qualquer hora, ouvir reclamações o dia todo, participar das disputas e querelas do dia a dia ou digladiar com a morte? Só mesmo quem, por vocação, não se imagina fazendo outra coisa.

Acontece que não é essa a realidade. Tenho uma filha que recém terminou o colegial e entrou na disputa por um lugar na faculdade; o número de candidatos por vaga naquelas duas profissões ultrapassa em muito o número de pretendentes nas outras o que, em um raciocínio simplório, poderia fazer pensar que o Brasil é um país de médicos e advogados natos.

Ingenuidade à parte, fico imaginando a debandada se, por uma febre igualitarista, todas as profissões tivessem status e rendimentos idênticos. Nada contra sucesso financeiro ou social, eu os desejo para minha filha, só acho que não é saudável que ocorram apartados do sucesso pessoal, e esse só atingimos quando estamos em sintonia com nossa natureza, a qual determina a vocação profissional.