domingo, 22 de janeiro de 2012

Natureza humana.

Perdi a conta das vezes que recebi e-mail contando de um monge tibetano que é picado tentando impedir que um escorpião morra afogado. Tal historia é repetida como modelo de compaixão a ser buscado e, no final, o monge se justifica dizendo que assim como é da natureza do escorpião picar é da sua tentar salvá-lo.

Hahnemann escreveu, no nono parágrafo do Organon, que  a força vital mantém o organismo em processo harmonioso, e que o espírito racional utiliza esse organismo, como instrumento, para alcançar os mais altos fins da existência… Viver em harmonia com o universo e protege-lo é um desses altos fins e como o escorpião faz parte do universo, salvá-lo seria o correto; no entanto, também o monge faz parte do universo…

Para ser racional e sadia uma ação tem que produzir benefícios quando comparada com a inação; salvar o escorpião às custas da própria integridade é o contrario disso; por mais compassivo que fosse, aquele monge deveria usar pelo menos seu chinelo para salvar o escorpião acatando, ao mesmo tempo, o instinto de auto preservação existente em todo ser vivo e o impulso de salvar presente nos mais evoluídos.

Instinto, emotividade e racionalidade são características essencialmente humanas, e o comportamento resultante do equilíbrio entre elas é que é modelo a ser almejado; salvar o escorpião daquela maneira ou louvar tal comportamento é exclusivamente emocional.