domingo, 22 de julho de 2012

“Conversa pra boi dormir”.

Um amigo enviou-me o link de um artigo de Leonardo Boff, sobre a Rio + 20, publicado em 12/07 no Jornal do Brasil, intitulado - O impossível pacto entre o lobo e o cordeiro. Leia na íntegra.

Ao ler o artigo uma frase chamou-me particularmente a atenção: Os que decidem não dão a mínima atenção aos alertas da comunidade científica mundial.”. E perguntas ficaram a bailar em meu cérebro:

E os que não decidem, dão atenção a esses alertas?

Diante de um comportamento popular ambientalista os que decidem se veriam compelidos a repensar decisões?

Não trafego pelas cúpulas onde grandes decisões são engendradas, estou mais próximo dos que decidem apenas à respeito da própria vida e, assim como me observo, os observo e vejo: Vejo que naquelas decisões que lhes cabem: como em quem votar, que carro comprar, que combustível usar,  que roupa vestir, o que fazer com seus lixos, varrer com vassoura ou com mangueira d’água as calçadas de suas casas – lavando ruavejo pessoas varrendo com água tratada até ruas asfaltadas - por essas e dezenas de outras decisões que tomam vejo que muitos não dão a mínima atenção àqueles alertas e temo, cético que sou neste aspecto, que sejam a maioria.

E, num cenário como este, onde os que não decidem parece não se importarem e os que decidem não se importam, não há muito que os que se importam possam efetivamente fazer para evitar que a Rio + 20 se transforme em “conversa pra boi dormir”.

INFELIZMENTE!

terça-feira, 10 de julho de 2012

A fila sempre anda.

Dia desses, ao rever anotações sobre ansiedade e depressão, me veio à mente recordações de quando adolescente.

Tinha treze anos quando, juntando ‘dinheirinhos’ por meses, consegui comprar uma vara de pescar de nylon e um molinete que, diga-se de passagem, era para canhotos... A ansiedade não me deixou analisar corretamente minha compra como também não me deixava dormir; ficava deitado de olhos fechados imaginando como seria, no final de semana, nos córregos da fazenda de meu pai, a pesca de bagres e mandis, alimentando a esperança de que a sorte me brindasse com um ou dois piaus; e rolava na cama como os peixes no meu bornal.

O que eu não previra, na ânsia de possuir um molinete, é que para a pesca em córregos, na qual me esgueirava por entre a vegetação para alcançar bons poços, o uso de molinete não era adequado; ao tentar lançar o anzolcórrego a vara esbarrava na folhagem atrás de mim e o lançamento era imperfeito, raramente atingia o ponto desejado e na maioria das vezes o anzol se prendia, por várias vezes me obrigando a entrar na água para soltá-lo e, cabisbaixo, voltei para casa com duas piabinhas no bornal.

As semanas seguintes foram de puras frustração e  tristeza -  tanto esforço para nada -  também não dormia pensando no que se passara; talvez nos dias de hoje fosse diagnosticado como deprimido; naqueles tempos era apenas tristeza com coisas do dia a dia e que logo passaria, como de fato passou.

Nunca mais usei o molinete, a vara ainda tentei usar mas o velho caniço de bambu era melhor para aquele tipo de pesca e me reconciliei com ele… Tempos depois dei-os de presente, não lembro para quem; meu interesse por eles desapareceu junto com meu interesse pela pesca e a fila andou… A fila sempre anda.