sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

O Caminho.

O homem evoluiu das cavernas ao homo sapiens sapiens, no entanto, no artigo O CAMINHO COMO ARQUÉTIPO, Leonardo Boff escreveu:

“O caminho constitui um dos arquétipos mais ancestrais da psique humana. O ser humano guarda a memória de todo o caminho perseguido pelos 13,7 bilhões de anos do processo de evolução. Especialmente guarda a memória de quando nossos antepassados emergiram: o ramo dos vertebrados, a classe dos mamíferos, a ordem dos primatas, a família dos hominidas, o gênero homo, a espécie sapiens/demens atual.” 

Não sei se Leonardo Boff, ao usar a denominação sapiens/demens, reconhecia o pensamento de Edgar Morin; antropólogo e filósofo francês, que defende existir uma duplicidade no ser humano que, ao mesmo tempo que é lúcido apresenta certo grau de demência; ou se fazia uma crítica ao comportamento da sociedade atual; mas não importa, importa mesmo é o caminho.

Na tradução da obra OS DEVERES, do filósofo romano Cicero, com referência ao capítulo35, o tradutor Luiz Feracine escreveu:

“Na realização de nosso projeto existencial devemos avaliar, com a mente e com o coração, o que queremos ser e quais os deveres a obedecer. Assim evitaremos ser vitima da fortuna (azar) e das circunstâncias. O que importa mesmo é saber qual o caminho reto para a vida.”

Mas como saber se o caminho escolhido, entre tantos que aparentemente se apresentam, é um bom caminho? 

De todas as metáforas que conheço à respeito desse arquétipo a que mais me agrada é a do “Caminho com coração” que o índio/bruxo mexicano Don Juan transmitiu ao antropólogo Carlos Castaneda, autor de vários livros nos quais relata sua experiência/vivência com o Xamã.

Caminho com coração é aquele com o qual nos identificamos completamente e ao percorrê-lo encontramos alegria e realização pessoal; não tem necessariamente que levar a algum lugar ou objetivo, usufruir da caminhada já é o bastante… se bem que, ao percorrer um caminho com coração, o quinhão de insanidade do caminhante iria se dissipando, e não seria esse um tremendo objetivo?

 

Para o ano que chega desejo… àqueles que ainda não encontraram um caminho com coração que, pelo menos, os vislumbrem e… àqueles que já os trilham, que muito caminhem.

Obrigado por suas visitas.                                               Lister.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Deserto.

Na linha da postagem anterior, Respeitável senhora, recebi de um amigo texto de Jean Yves Leloup intitulado A EXPERIÊNCIA DO DESERTO NO CORPO, do qual reproduzo trecho…

Quem sabe o que faz multiplica o efeito da ferramenta que usa; no caso, as palavras: 

“Certa vez o desgosto se apodera de todo o nosso ser: tudo tem um sabor de poeira, o corpo fica frio, cheio de febres, o ar nos sufoca. É um peso enorme que a pessoa arrasta enquanto, implacáveis, se vão escoando os dias... “Morrer – dizia o canto – não tenho medo de morrer, mas sim de envelhecer”... e, cada dia, um pouco do ouvido, um pouco da vista, um pouco do paladar me é mais distante, sempre mais ausente.

As rochas mais duras se deixam erodir pelo vento, os corpos mais sólidos se deixam levar pelo tempo, e ai ocorrem os mercadores de eterna juventude, com seus cremes, seus liftings, seus tratamentos e seus remédios, suas viagens organizadas para o esquecimento... Esperava-se um milagre, mas o que descobre é uma miragem, e cada ruga, cada achaque aí está para lembrar o imutável.

Envelhecer e recusar-se a envelhecer vai dar origem a toda a sorte de miragens; mas envelhecer e aceitar envelhecer vai ser fonte de milagres. Mesmo que seja um deserto de que se fala pouco ou se fala mal, a velhice, da mesma forma que a doença, é por vezes um deserto que se demora muito a atravessar, de onde a única saída que se vislumbra é fatal.

E, no entanto, através da aceitação do nosso ser como mortal pode despertar-se em nós o Oásis. “Tudo aquilo que é composto um dia será decomposto”. Não é uma verdade triste. É uma simples evidência. Esposar essa evidência nos torna capazes de viver com intensidade nova o “instante” presente, de lhe aproveitar as menores facetas, pois esta paisagem, este rosto, este dia-a-dia, na sua austeridade, bem sabemos que nada restará de tudo isso.

O deserto nos revela a fugacidade, a fragilidade da existência humana, e quando se renunciou às miragens, ou seja, quando se renunciou a preencher os vazios com nada, revela-se o milagre deste “instante”.

É necessário ter sido privado das pernas, para se espantar ao colocar o pé diante do outro; é necessário ter sido impedido de respirar, para se espantar com o menor movimento respiratório...

Pode se encontrar em pessoas que há muito tempo enfermas, ou em certos velhinhos, frescores de oásis, pois se há claridade no olhar de uma criança, há luminosidade no olhar de um ancião, uma luz que viu a noite, uma inocência que atravessou o deserto, uma inocência que nada ignora das durezas, dos esplendores da existência.

Son sourire brille sous la cendre: Seu sorriso brilha sob as cinzas.”

sábado, 1 de dezembro de 2012

“Respeitável senhora”.

Cresci em um tempo onde, em casa, eram velados os mortos…

Um tempo no qual crianças iam a velórios e a morte não lhes era escondida ou negada...

E, uma ou duas vezes, fui repreendido por brincar sob cachões…a efervescência da vida se contrapondo à imobilidade da morte…vida e morte; sempre unidas e sempre separadas…

Talvez por isso me compadeça com o medo e ingenuidade daqueles que tentam, com silêncio e “cosméticos”, colocar na sombra essa “inevitável senhora”.

 

Talvez por isso tenha me surpreendido quando fui criticado por levar meus filhos, ainda crianças, aos velórios do avô e do primo…

- Você deveria poupá-los disto! Disseram.

Como se devesse me sentir culpado por permitir que crianças indefesas fossem apresentados a uma “indesejável senhora”.

Talvez por isso tenha gostado do artigo de Cláudia Collucci sobre essa “incompreendida senhora”.

Talvez, também por isso, tenha resistido a uma medicina que se agarrando exageradamente à vida, só agora, com os cuidados paliativos, comece a reconhecer um antigo/novo lado de uma “respeitável senhora”.

sábado, 24 de novembro de 2012

Liberdade.

“Em tempo de vacas magras maxixe é iguaria”, diz o ditado popular… Em tempo de falta de inspiração a contribuição de amigos é providencial, digo eu.

Reproduzo, na íntegra, post enviado por um desses amigos:

LIÇÃO AOS PAIS

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“Deixe que o menino mergulhe na vida

com o corpo livre e a alma limpa.

Tranque seus conceitos no fundo da arca,

ideal caduco, inútil sucata.

Que ele não repita sua vida parca.

Passe sete chaves para que nem um som escape.

Não deixe que repita sua vida escassa,

cultura viciada, áspera escarpa.

Não queira enquadrá-lo nos padrões vigentes

de uma sociedade suja e mercenária

que tem por medida de felicidade a conta bancária.

Deixe-o pássaro, não um cidadão

de um mundo tirano, só pagando imposto

taxa sobre taxa, consumindo grife, mastigando tralha.

Deixe que cultive ócio, amor, carinho.

Que odeie o ódio, ópio, colarinho.

Que ande descalço, mesmo se o caminho

for de asfalto quente, pedras e espinho.

Ele saberá, o instinto ensina,

a pisar de leve, a saltar por cima,

a pisar na sombra, levitar no espaço

a sempre evitar o trajeto escuso,

a iluminar o caminho escuro.

Tenha sempre em mente, desperto ou

no sonho, que desse menino, você não é o dono.

Não é proprietário da vida exultante,

no corpo e na alma de um ser pulsante.

Ele é o senhor do próprio destino,

do tino, canção transformada em

hino de sua emoção, herói, paladino.

Respeite esse homem

que é ser menino, ou essa menina,

que sendo mulher, será nesta vida

o que ela quiser.

E jamais esqueça: em qualquer idade,

a felicidade tem um nome santo:

Santa Liberdade.”

Reynaldo Jardim

Lembrei-me do livro Escuta Zé Ninguém de Wilhelm Reich.

sábado, 17 de novembro de 2012

Dia da Homeopatia

Folheto Homeogarvil Dia Homeopatia

Meus cumprimentos a Flavia Garvil e colaboradores pela iniciativa e meu agradecimento pelo privilégio de poder participar.

Sintam-se convidados.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Medicina – Novos rumos.

A pauta do II Congresso Brasileiro de Humanidades, promovido pelo Conselho Federal de Medicina, aponta para novos e auspiciosos rumos: Conforme matéria publicada no jornal Medicina, em outubro deste ano médicos brasileiros discutirão “temas humanos como ética, educação, expectativas para o futuro e relação entre profissionais e pacientes.”…

O encontro busca provocar reflexões sobre a formação humanística de médicos, em um momento histórico marcado por rápido avanço tecnológico e mecanização da assistência em saúde.”.

A matéria ainda cita a fala do médico Luiz Roberto Londres que preside a conferência de abertura do congresso:O congresso é da maior relevância no momento atual em que importância maior está sendo dada à parte empresarial e financeira; o grande risco da medicina é se transformar em um negócio.”.

Auspiciosos rumos que, a bem da evolução humana, poderiam se estender para outros lados, já que hoje em dia quase tudo está se transformando em negócio.

sábado, 8 de setembro de 2012

Sem comentários.

Na publicação, “Conversa pra boi dormir”, de 22 de julho passado escrevi: “Vejo que naquelas decisões que lhes cabem: como em quem votar, que carro comprar, que combustível usar,  que roupa vestir, o que fazer com seus lixos,…”.DSCF8957 - web

A imagem ao lado foi “clicada” há uma semana, no Chile, após visita de turistas à cordilheira dos Andes.

É preciso dizer mais alguma coisa?

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Autoestima.

Um artigo de Luiz Felipe Pondé, publicado na Folha de São Paulo do dia 16 de abril de 2012, faz referência ao jornal britânico “The Guardian” que, em 22 de março deste ano, publicou matéria dedicada a pesquisas sobre  o Facebook.   Leia na íntegra.

Do referido artigo destaco três parágrafos:

- “Em 1979, o historiador americano Christopher Lasch (1932-94) publicava seu best-seller acadêmico “A Cultura do Narcisismo”, um livro essencial para pensarmos o comportamento no final de século 20. Ali, o autor identificava o traço narcísico de nossa era: carência, adolescência tardia, incapacidade de assumir a paternidade ou maternidade, pavor do envelhecimento, enfim, uma alma ridiculamente infantil num corpo de adulto."

- “Segundo a pesquisa da Universidade de Western Illinois (EUA), discutida pelo periódico britânico, “um senso de merecimento de respeito, desejo de manipulação e de tirar vantagens dos outros” marca esses bebês grandes do mundo contemporâneo,” ...

-  “Segundo o periódico britânico, a assistente social Carol Craig, chefe do Centro para Confiança e Bem-estar, disse que os jovens britânicos estão cada vez mais narcisistas e reconhece que há uma tendência da educação infantil hoje em dia, importada dos EUA para o Reino Unido (no Brasil, estamos na mesma...), a educar as crianças cada vez mais para a autoestima.

Eis aí, confirmada e materializada, a sabedoria popular do ditado “Quem nunca comeu mel, quando come se lambuza.”… Parece, de acordo com as pesquisas, que caminhamos, num espaço de tempo muito curto, da ausência de autoestima dos tempos da palmatória à autoestima exagerada e lambuzada destes tempos do pode tudo.

Será que “O tiro saiu pela culatra”?

domingo, 22 de julho de 2012

“Conversa pra boi dormir”.

Um amigo enviou-me o link de um artigo de Leonardo Boff, sobre a Rio + 20, publicado em 12/07 no Jornal do Brasil, intitulado - O impossível pacto entre o lobo e o cordeiro. Leia na íntegra.

Ao ler o artigo uma frase chamou-me particularmente a atenção: Os que decidem não dão a mínima atenção aos alertas da comunidade científica mundial.”. E perguntas ficaram a bailar em meu cérebro:

E os que não decidem, dão atenção a esses alertas?

Diante de um comportamento popular ambientalista os que decidem se veriam compelidos a repensar decisões?

Não trafego pelas cúpulas onde grandes decisões são engendradas, estou mais próximo dos que decidem apenas à respeito da própria vida e, assim como me observo, os observo e vejo: Vejo que naquelas decisões que lhes cabem: como em quem votar, que carro comprar, que combustível usar,  que roupa vestir, o que fazer com seus lixos, varrer com vassoura ou com mangueira d’água as calçadas de suas casas – lavando ruavejo pessoas varrendo com água tratada até ruas asfaltadas - por essas e dezenas de outras decisões que tomam vejo que muitos não dão a mínima atenção àqueles alertas e temo, cético que sou neste aspecto, que sejam a maioria.

E, num cenário como este, onde os que não decidem parece não se importarem e os que decidem não se importam, não há muito que os que se importam possam efetivamente fazer para evitar que a Rio + 20 se transforme em “conversa pra boi dormir”.

INFELIZMENTE!

terça-feira, 10 de julho de 2012

A fila sempre anda.

Dia desses, ao rever anotações sobre ansiedade e depressão, me veio à mente recordações de quando adolescente.

Tinha treze anos quando, juntando ‘dinheirinhos’ por meses, consegui comprar uma vara de pescar de nylon e um molinete que, diga-se de passagem, era para canhotos... A ansiedade não me deixou analisar corretamente minha compra como também não me deixava dormir; ficava deitado de olhos fechados imaginando como seria, no final de semana, nos córregos da fazenda de meu pai, a pesca de bagres e mandis, alimentando a esperança de que a sorte me brindasse com um ou dois piaus; e rolava na cama como os peixes no meu bornal.

O que eu não previra, na ânsia de possuir um molinete, é que para a pesca em córregos, na qual me esgueirava por entre a vegetação para alcançar bons poços, o uso de molinete não era adequado; ao tentar lançar o anzolcórrego a vara esbarrava na folhagem atrás de mim e o lançamento era imperfeito, raramente atingia o ponto desejado e na maioria das vezes o anzol se prendia, por várias vezes me obrigando a entrar na água para soltá-lo e, cabisbaixo, voltei para casa com duas piabinhas no bornal.

As semanas seguintes foram de puras frustração e  tristeza -  tanto esforço para nada -  também não dormia pensando no que se passara; talvez nos dias de hoje fosse diagnosticado como deprimido; naqueles tempos era apenas tristeza com coisas do dia a dia e que logo passaria, como de fato passou.

Nunca mais usei o molinete, a vara ainda tentei usar mas o velho caniço de bambu era melhor para aquele tipo de pesca e me reconciliei com ele… Tempos depois dei-os de presente, não lembro para quem; meu interesse por eles desapareceu junto com meu interesse pela pesca e a fila andou… A fila sempre anda.

sábado, 30 de junho de 2012

Chuva de tempo certo.

Madrugada…

Acordo com o barulho de chuva fora de tempo…Música para os corações roceiros e indagação para as mentes citadinas…

Para que servem as chuvas tardias?

Para tudo que tem vida e até para o que não tem, respondo; e principalmente para as plantas que não floresceram com as chuvas de temporada…Oportunidade de cumprir a função a que vieram e não fenecer na aridez. 

Fico a pensar que chuva; não importa se temporã, de temporada ou tardia é sempre de tempo certo e é, para a terra, o mesmo que bons relacionamentos para nós; faz brotar e florescer o que está no ponto e só precisa de rega.image

 

 

 Três amigos na chuva_Luisa Artèsa.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Ideal x Possível.

Estou gostando dos retornos à respeito da palestra Saúde um/em Movimento, mas – nada é perfeito – esqueci de abordar um tema importante; o conceito de ideal.

Temos conceitos de ideal para tudo: Cônjuge ideal, amigo ideal, parente ideal, viagem ideal, filme e livro ideais, carro ideal, a lista é infinita… mas quantas vezes atingimos essas expectativas? Muito raramente e/ou por curto espaço de tempo e logo que surgem imperfeições no idealizado dizemos frases como:

A viagem foi ótima, pena que choveu naquele final de semana.

– Filme muito bom, mas acho que seria melhor se fosse com o ator tal.

– Este carro seria perfeito se tivesse tal acessório.

Nunca pensei que fulano(a) pensasse assim.

– A palestra teria sido melhor se eu não houvesse esquecido disto.

E a frustração varia de pequena a enorme, dependendo da pessoa e das circunstâncias, mas é sempre um desconforto e um obstáculo à saúde.

Devemos, portanto, abdicar do que consideramos ideal?

Absolutamente! Devemos mudar nosso conceito e considerar o ideal como uma meta, como um objetivo a ser alcançado, não como imprescindível à nossa felicidade. Por difícil que seja devemos tentar agir sob a visão pragmática de que quando o ideal imaginado não é possível, o melhor possível, porém real, se torna automaticamente o ideal.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Lavagem cerebral.

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Na minha infância não tínhamos televisão em casa. Minha mãe ouvia novelas pelo rádio e eu - pois criança ouve tudo, mesmo sem querer - também ouvia... Uma daquelas novelas falava de comunistas, de prisões, de torturas e de lavagem cerebral... Eu imaginava o que poderia ser uma lavagem cerebral e um medo desmedido se apossava de mim e desejava, profundamente, jamais ser vitima de uma. O tempo passou... tal novela terminou... outras se sucederam e as lembranças foram sendo paulatinamente soterradas e, com elas, o medo.

Hoje o a expressão “lavagem cerebral” foi substituída por “fazer a cabeça” e faz parte do nosso cotidiano, sendo ferramenta de marketing usada em praticamente toda campanha publicitária; mas não sinto medo, aprendi a neutralizar seu assédio... O que sinto é tristeza, ao constatar o efeito que esse “fazer a cabeça” hipnótico causa nas pessoas, mas também sinto indignação, principalmente quando o alvo é a saúde.

Neste momento, estou indignado! Recebi de um colega a indicação de uma publicação que é iniciada assim:

“Se há um remédio capaz de gerar lucros, deve haver consumidores”. O que as corporações querem que você compre agora.                  Leia mais.

Indignação à parte, devemos reconhecer a "esperteza” de tal procedimento; o ser humano doente, ou que se julga doente, está sob o domínio do medo e totalmente vulnerável, existe momento melhor para lhe “fazer a cabeça”?

segunda-feira, 21 de maio de 2012

sábado, 5 de maio de 2012

Infertilidade / Cuidados.

Recebo, regularmente, artigos publicados pela revista francesa Sante e Nutrition; um deles chamou-me particularmente a atenção  por conta do título Le Wi-Fi brûle les testicules (Wi-Fi queima os testículos).

Referido artigo versa sobre estudos que revelam que o calor gerado pelos computadores portáteis, quando usados sobre o colo, eleva a temperatura da bolsa escrotal dos usuários  em até 2,88º C, o que “pode ​​ter um impacto negativo sobre a espermatogênese, especialmente em adolescentes e jovens".

Os estudos ainda mostram que o calor também pode reduzir a motilidade dos espermatozoides e provocar um aumento na fragmentação do DNA e, portanto, uma alteração do código genético; tudo isso levando à redução da fertilidade. Apesar de ser por motivos diferentes “O efeito é quase certamente o mesmo que para os homens que carregam um celular no bolso de suas calças escrevem os autores do artigo, que o concluem com a orientação de que os computadores devem ser usados sobre mesas e que os celulares não sejam levadosComp colo nos bolsos das calças ou que então sejam desligados.

Esses estudos foram realizados com homens, mas me pergunto se os cuidados não podem ser estendidos às mulheres; não com relação ao calor, que dificilmente atingiria os ovários; mas com relação aos campos magnéticos emitidos por tais aparelhos. Afinal de contas “seguro morreu de velho”.

domingo, 29 de abril de 2012

Cérebro vivo.

Desde criança ouço dizer que “cabeça vazia é oficina do diabo” e que tarefas monótonas além de darem sono vão nos deixando meio lerdos; agora, a ciência, através de testes e exames de última geração, está confirmando esse saber popular de todos os tempos e  a ordem do dia é: Quer manter seu cérebro vivo? Estimule-o. 

São várias as maneiras de estimular o cérebro; já escrevi um pouco sobre isso em outras ocasiões; mas gosto muito de joguinhos pois não tomam muito tempo e podem ser praticados a qualquer momento. Faço isso entre uma consulta e outra, deixa minha mente limpa.

No site O CÉREBRO NOSSO DE CADA DIA encontramos vários jogos, selecionei um de multitarefas por ser mais difícil e, por isso mesmo, mais estimulante.

Bom proveito!

sexta-feira, 6 de abril de 2012

SAÚDE… um/em MOVIMENTO.

Sinto-me lisonjeado! Silvia S. Sant’Anna convidou-me para, novamente, participar de seu projeto Filosofando Agora, que este ano traz à cena o pensamento do filósofo grego Heráclito; e como a própria Silvia escreveu, “A ideia principal do pensamento de Heráclito é a do movimento, do eterno fluir, da mudança, do devir.

Esse conceito de movimento, de nada estático e definitivo, é a condição de tudo… terreno propicio para se falar de saúde, ou melhor, da busca por ela; mesmo porque, as mudanças aceleradas nestes tempos modernos podem fazer com que situações e opiniões equivocadas porém frequentes se estabeleçam como normais.

Ir ao médico

Ainda não tenho a data, não sei se palestrarei ou se eu e os que lá estiverem palestraremos, certo é que aceitei o convite e nomeei a ocasião: SAÚDE… um/em MOVIMENTO.   

 

Sintam-se, antecipadamente, convidados.

O cara só é sinceramente ateu quando está muito bem de saúde.
Millôr Fernandes.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Contra piolhos.

imageColocar 1/2 pacotinho de fumo desfiado em 1/2 litro de álcool; aguardar 15 dias agitando periodicamente.

Coar e aplicar no couro cabeludo e cabelos uma vez por semana.

Dez minutos após aplicação passar pente fino, lavar os cabelos e passar novamente o pente fino.image

 

Obs: No lugar do fumo pode ser usado Arruda (Ruta graveolens).

quinta-feira, 1 de março de 2012

Medo de envelhecer.

Uma reportagem sobre o livro A Soma e o Resto - Um Olhar sobre a Vida aos 80 anos, de Fernando Henrique Cardoso (Veja 2247 – dez 2011), traz esta foto do grupo The Elders, do qual o ex-presidente faz parte e que, segundo seu criador NelsonMandela Mandela, é “…um grupo de líderes que trabalharão objetivamente, livres de qualquer interesse pessoal, para ajudar e encaminhar os desafios globais que se apresentam.” .

Esses desafios são enormes e de dar medo, nas não é sobre eles que quero escrever, nem sobre o livro de FHC; a reportagem provocou em mim o desejo de escrever sobre um medo específico e pouco justificável, a Gerascofobia.

 

Muitas vezes confundido com a Nosofobia (medo de adoecer) e tão antigo ou mais que os espelhos, o medo de envelhecer tem crescido em proporções preocupantes considerando não apenas as “confissões” em consultório, mas também alguns comportamentos e atitudes de evitação cada vez mais comuns:

-Contínua procura por tratamentos estéticos.

-Exagerada prática de exercícios físicos.

-Excessiva preocupação com alimentação correta (Ortorexia).

Nos repertórios homeopáticos encontramos Medo da velhice; e neste sintoma constam três medicamentos: Lachesis, Lycopodium e Sepia; percebo que o campo de ação desses três grandes medicamentos, policrestos no jargão homeopático, a duras penas atende este crescente universo de pessoas ímpares cujas características coincidem neste pavor de envelhecer.

Sem dúvida o envelhecimento traz mudanças orgânicas, estéticas, emocionais e mentais, que repercutem nas relações amorosas, familiares, sociais, profissionais e de poder. Essas mudanças podem ser vistas como perdas insuportáveis se formos comandados pelo medo; mas também podem ser vistas como permissão para ocupar um outro “lugar”, se aceitarmos que a fonte da juventude eterna não foi encontrada e compreendermos que desde o inicio da caminhada humana sobre a terra, aos “maduros” cabe a exigente frente dos grupos e aos velhos cabe, não necessariamente mediar desafios globais como fazem os “The Elders”, mas talvez desafios menores ou, quem sabe, simplesmente usufruir da retaguarda.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Vocação.

Às vezes digo, em tom de pilhéria, que consultórios médicos e escritórios de advocacia têm algo em comum; geralmente são procurados por quem está com problemas… Engenheiros e arquitetos, por outro lado, são procurados por quem tem uma grana no bolso e uma ideia na cabeça… Muito melhor!

Em um pensar simplista, medicina e direito deveriam ser as menos desejadas por aqueles que estão iniciando a busca por uma profissão, pois quem, em sã consciência, ia querer ser acordado a qualquer hora, ouvir reclamações o dia todo, participar das disputas e querelas do dia a dia ou digladiar com a morte? Só mesmo quem, por vocação, não se imagina fazendo outra coisa.

Acontece que não é essa a realidade. Tenho uma filha que recém terminou o colegial e entrou na disputa por um lugar na faculdade; o número de candidatos por vaga naquelas duas profissões ultrapassa em muito o número de pretendentes nas outras o que, em um raciocínio simplório, poderia fazer pensar que o Brasil é um país de médicos e advogados natos.

Ingenuidade à parte, fico imaginando a debandada se, por uma febre igualitarista, todas as profissões tivessem status e rendimentos idênticos. Nada contra sucesso financeiro ou social, eu os desejo para minha filha, só acho que não é saudável que ocorram apartados do sucesso pessoal, e esse só atingimos quando estamos em sintonia com nossa natureza, a qual determina a vocação profissional.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Um futuro diferente.

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Chegou-me às mãos parte do que Leonardo Boff escreveu na introdução da obra A REFUNDAÇÃO DO BRASIL de Luiz Gonzaga de Souza Lima; achei muito bom e, apesar de ser um pouco longo, compartilho… Deu vontade de ler o livro!

“…Luiz Gonzaga de Souza Lima avança uma perspectiva original e de grande força interpretativa com seu texto A Refundação do Brasil: do Estado Economicamente Internacionalizado à Nova Sociedade Biocentrada.Há interpretações clássicas sobre a formação da nação-Brasil. Mas esta do cientista político Luiz Gonzaga de Souza Lima é seguramente singular e adequada para entender o Brasil no atual processo de globalização: A Refundação do Brasil: rumo a uma sociedade biocentrada (Rima,São Carlos 2011). Seu ponto de partida é o fato brutal da invasão e expropriação das terras brasileiras pelos “colonizadores” à base da escravidão e da superexploração da natureza.

Não vieram para fundar aqui uma sociedade mas para montar uma grande empresa internacional privada, uma verdadeira agro-indústria, destinada a abastecer o mercado mundial. Ela resultou da articulação entre reinos, igrejas e grandes companhias como a das Índias Ocidentais, Orientais, a Holandesa (de Mauricio de Nassau), com navegadores, mercadores, banqueiros, não esquecendo as vanguardas modernas, dotadas de espírito de aventura e de novos sonhos, buscando novos conhecimentos e enriquecimento rápido.

Ocupada a terra, para cá foram trazidas matrizes (cana de açúcar e depois café), tecnologias modernas para a época, capitais e escravos africanos. Todos eram considerados “peças” a serem compradas no mercado e como carvão a ser consumido nos engenhos de açúcar. Com razão afirma Souza Lima: ”o resultado foi o surgimento de uma formação social original e desconhecida pela humanidade até aquele momento, criada unicamente para servir à economia; no Brasil nasceu o que se pode chamar de ‘formação social empresarial”.

A modernidade no sentido da utilização da razão produtivista, da vontade de acumulação ilimitada e da exploração sistemática da natureza, da criação de vastas populações excluídas, nasceu no Brasil e na América Latina. O Brasil, neste sentido, é novo e moderno desde suas origens.

A Europa só pôde fazer a sua revolução, chamada de modernidade, com seu direito e instituições democráticas, porque foi sustentada pela rapinagem brutal feita nas colônias. Com a independência política do Brasil, a formação social empresarial não mudou sua natureza. Todos os impulsos de desenvolvimento ocorridos ao longo de nossa história, não conseguiram diluir o caráter dependente e associado que resulta da natureza empresarial de nossa conformação social. A tendência do capital mundial global ainda hoje é tentar transformar nosso eventual futuro em nosso conhecido passado. Ao Brasil cabe ser o grande fornecedor de commodities para o mercado mundial, sem ou com parca tecnologia e valor agregado.

A empresa Brasil é a categoria-chave, segundo Souza Lima, para se entender a formação histórica do Brasil e o lugar que lhe é assinalado no processo atual de globalização desigual.

O desafio consiste em gestar um outro software social que nos seja adequado, que nos desenhe um futuro diferente. A inspiração vem de algo bem nosso: a cultura brasileira. Ela foi elaborada pelos escravos e seus descendentes, pelos indígenas que restaram, pelos mamelucos, pelos filhos e filhas da pobreza e da mestiçagem. Gestaram algo singular, não desejado pelos donos do poder que sempre os desprezaram e nunca os reconheceram como sujeitos e filhos e filhas de Deus.

O que se trata agora é refundar o Brasil, “construir, pela primeira vez, uma sociedade humana neste território imenso e belo; é habitá-lo, pela primeira vez, por uma sociedade humana de verdade, o que nunca ocorreu em toda a era moderna, desde que o Brasil foi fundado como uma empresa; fundar uma sociedade é o único objetivo capaz de salvar nosso povo”.Trata-se de passar do Brasil como Estado economicamente internacionalizado para o Brasil como sociedade biocentrada.

Ao refundar-se como sociedade humana biocentrada, o povo brasileiro deixará para trás a modernidade apodrecida pela injustiça e pela ganância e que está conduzindo a humanidade para um abismo. Não obstante, esta modernidade entre nós, bem ou mal, nos ajudou a forjar uma infra-estrutura material que pode permitir a construção de uma biocivilização que ama a vida em todas as suas formas, que convive pacificamente com as diferenças, dotada de incrível capacidade de integrar e de sintetizar os mais diferentes dados e valores.

É neste contexto que Souza Lima associa a refundação do Brasil às promessas de um mundo novo que deve suceder a este que está agonizando, incapaz de projetar qualquer horizonte de esperança para a humanidade. O Brasil poderá ser um nicho gerador de novos sonhos e da possibilidade real de realizá-los em harmonia com a Mãe Terra e aberto a todos os povos.”

Leonardo Boff

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Ansiedade?

31/01/2012, 2º aniversario deste blog; escrever sobre o quê nesta data especial? Porque não sobre ansiedade que disputa com a depressão; da qual geralmente é pano de fundo; o primeiro lugar na procura pelos consultórios de psicólogos e psiquiatras e também pelo deste homeopata interessado nas ‘artes e manhas’ da mente?

Tratar ansiedade com homeopatia?

E porque não? Uma possibilidade de não ser necessário me aventurar pelo mar alopático num mergulho que gera mais ansiedade… Conseguirei voltar à tona? 

Pierre Teilhard de Chardin, filósofo evolucionista digno de nota, no livro O Fenômeno Humano, escreveu:

“Que, sob uma forma primordial, a ansiedade humana seja ligada ao próprio aparecimento da Reflexão, e portanto tão antiga quanto o próprio Homem, é um fato evidente. Mas que, sob o efeito de uma Reflexão que se socializa, os homens de hoje sejam particularmente inquietos, – mais inquietos do que em momento algum da História –, disso também não creio que se possa seriamente duvidar. Consciente ou inconfessada, a angústia, uma angústia fundamental do ser, transparece, apesar dos sorrisos, no fundo dos corações, ao cabo de todas as conversas. Longe estamos, contudo, de reconhecer distintamente em nós a raiz dessa ansiedade. Algo nos ameaça, algo nos falta mais do que nunca, – sem que saibamos exatamente o quê.

Procuremos, pois,  pouco a pouco, localizar a origem do mal-estar, – afastando as causas ilegítimas de perturbação até descobrirmos o ponto doloroso em que se deve aplicar o remédio, se é que existe algum.”

Eis aí o ‘x’ da questão: Descobrir o núcleo do mal-estar…

E o médico homeopata faz outra coisa?

A minuciosa anamnese não revela ao paciente um conjunto de qualidades particulares do qual, na maioria das vezes, não suspeitava?

E não se evidencia nesse conjunto aquela fragilidade específica que quando ‘cutucada’ altera a energia vital que, alterada, provoca o surgimento de sintomas?

E não é essa fragilidade particular que deve ser cuidada e equilibrada?

E nessa busca, por si só terapêutica, não se revela também o medicamento homeopático, cujo uso aquieta os sintomas e estimula as mudanças comportamentais necessárias; sem subterfúgios, sem esperanças vãs?

Não é isso tratar?

domingo, 22 de janeiro de 2012

Natureza humana.

Perdi a conta das vezes que recebi e-mail contando de um monge tibetano que é picado tentando impedir que um escorpião morra afogado. Tal historia é repetida como modelo de compaixão a ser buscado e, no final, o monge se justifica dizendo que assim como é da natureza do escorpião picar é da sua tentar salvá-lo.

Hahnemann escreveu, no nono parágrafo do Organon, que  a força vital mantém o organismo em processo harmonioso, e que o espírito racional utiliza esse organismo, como instrumento, para alcançar os mais altos fins da existência… Viver em harmonia com o universo e protege-lo é um desses altos fins e como o escorpião faz parte do universo, salvá-lo seria o correto; no entanto, também o monge faz parte do universo…

Para ser racional e sadia uma ação tem que produzir benefícios quando comparada com a inação; salvar o escorpião às custas da própria integridade é o contrario disso; por mais compassivo que fosse, aquele monge deveria usar pelo menos seu chinelo para salvar o escorpião acatando, ao mesmo tempo, o instinto de auto preservação existente em todo ser vivo e o impulso de salvar presente nos mais evoluídos.

Instinto, emotividade e racionalidade são características essencialmente humanas, e o comportamento resultante do equilíbrio entre elas é que é modelo a ser almejado; salvar o escorpião daquela maneira ou louvar tal comportamento é exclusivamente emocional.