sábado, 12 de novembro de 2011

Evolução e Desconforto.

Alguém, na minha adolescência, disse-me que o conforto amolece o homem; a princípio não acreditei mas, a partir daí, comecei a observar que, de fato, só quando em desconforto e  na tentativa de supera-lo, desenvolvemos algum atributo novo que é incorporado ao  nosso modus operandi; e tive que aceitar, embora relutantemente, que desconforto é estimulo evolutivo.

Esta semana chegou-me às mãos uma historia, atribuída a G. I. Gurdjieff, que corrobora isso e que reproduzo na totalidade:

“Na comunidade espiritual dirigida por Gurdjieff, na França, vivia um homem idoso que era a personificação do estorvo: irritadiço, bagunceiro, briguento, pouco asseado, incapaz de colaborar com quem quer que fosse. Ninguém  se dava com ele. finalmente, após muitos meses frustrantes tentando permanecer com o grupo, o homem foi embora para Paris.

Gurdjieff foi atrás dele para tentar convencê-lo a retornar. Mas a experiência tinha sido árdua demais, e o homem se recusou. Gurdjieff, porém, insistiu e chegou a oferecer-lhe uma paga mensal razoável se ele voltasse.

Dessa maneira ele aceitou voltar. Ao vê-lo de volta, porém, a comunidade ficou pasma. E ao saberem que aquele homem estava sendo pago (ao passo que eles tinham que pagar, e muito, para estarem lá), todos se revoltaram. Gurdjieff reuniu-se com eles e, depois de ouvir suas reclamações, deu risada e explicou:

- Este homem é como o fermento para o pão. Sem ele por perto, vocês jamais aprenderiam verdadeiramente o que é a ira, a irritabilidade, a paciência e a compaixão. É para isso que vocês me pagam, e é para isso que eu o contratei.”